A Tânia, da Loja de Lisboa, pediu-me que escrevesse algo sobre amamentação, depois de algumas partilhas que fizemos nas minhas visitas à loja. De tanto que tenho para contar, e aproveitando a comemoração da Semana Mundial do Aleitamento Materno (1 a 7 de Agosto de 2013), resolvi contar o meu inicio. Começo por me apresentar, sou a Tânia (também!) , tenho 36 anos, e sou mãe de dois mini-bebés: o João, agora com quase 4 anos, e que nasceu às 38 semanas, com apenas 2,010kg; e a Maria que faz 1 ano esta semana, nascida às 34 semanas, com 1,330 kg. Ambos amamentados em exclusivo, desde a alta hospitalar até à introdução da Alimentação Complementar.
Sempre soube que ia amamentar. Afinal, as maminhas não podiam servir só para enfeitar, tinham de ter a utilidade para que a Natureza as fez. Muito antes da gravidez surgir, já eu lia tudo o que me passava pela frente sobre amamentação. Um blog dos meus preferidos, com muita informação de qualidade, foi o do projecto Mamar ao Peito. Entretanto a gravidez (finalmente!) surgiu, e continuei a minha caminhada. Nas ultimas semanas de gravidez, comprei a minha “bíblia” da amamentação, o Manual Prático do Aleitamento Materno, do Dr.Carlos Gonzalez, disponível no site do SOS Amamentação . Em duas semanas, li-o duas vezes de seguida!
Quando eu pensava que ainda tinha à minha frente algum tempo de gravidez, o João resolveu que estava com pressa, e 2 dias antes das 38 semanas, um pico de tensão levou a que o parto fosse induzido. Um parto rápido, sem tempo para epidural, e põe-me no colo um bebé mais pequenino do que eu estava à espera: 2,010kg de gente, uma surpresa para todos. Seguindo o protocolo para bebés com menos de 2,500kg, o teste da glicémia revelou valores muito baixos, pelo que ele foi internado na unidade de Neonatalogia cerca de 1 hora depois de nascer. E começava o desafio…
Não tinha o bebé comigo, não o podia amamentar, como tanto tinha sonhado. Só o voltei a ver no dia seguinte, quase 18 horas depois de ele ter nascido. Assim que o pude ver, tirei-o da incubadora onde estava, peguei nele, e tentei pô-lo à mama. Mas ele não parecia saber o que fazer, limitava-se a lamber… Assim se passaram 5 dias, em que ele foi alimentado primeiro por sonda, depois por biberão, com Leite Artificial, porque eu quase nada conseguia extrair. Ia tentando pô-lo na mama, mas sem grande resultado. Ao 5º dia, finalmente, tive a subida do leite, mas o João continuava sem conseguir pegar. Uma enfermeira novinha e despachada sugeriu que experimentasse bicos de silicone. Eu tinha lido sobre esses artefactos, e sabia que não eram aconselhados, mas no desespero de ter um bebé internado, faz-se qualquer coisa. O que se seguiu, para quem acredita, pode ficar na categoria de “milagre”: de repente, o pequenino João começou a mamar, como se nunca tivesse feito outra coisa! Tão bem, que no dia seguinte, aos 6 dias de vida, pudemos finalmente levar o nosso bebé para casa!
E começava uma nova fase! Por ser tão pequenino, tínhamos de garantir que comia, pelo menos, de 3 em 3 horas. Tínhamos de o acordar, fosse a que horas fosse, dia e noite. E quando finalmente acordava, levava muito tempo na mama. Mamava um pouquinho, adormecia. Acordava, mais meia dúzia de chupadelas, e toca de dormir. Levávamos os dias e as noites nisto, com muito cansaço, desespero, ansiedade, mas com a certeza de que era exactamente o que queria fazer. Amamentar afinal, não era nem bonito, nem romântico. Era simplesmente garantir que o meu filho, que não tinha crescido tudo dentro da barriga, pudesse ter o único alimento adequado, em quantidade e qualidade, nada mais, nada menos. Nem que para isso eu estivesse 24 sobre 24 horas de mama de fora. Cada vez que ia amamentar, preparava o meu “estaminé”: no sofá da sala, almofada de amamentação, água à mão, comidinhas práticas (bolachas, frutas, frutos secos, o que pudesse facilmente comer à mão), e o comando da televisão, quase sempre na Fox. E ali ficávamos os dois, horas esquecidas. O mundo e a casa tinham ficado para trás, só interessava amamentar o meu bebé, tão pequenino. O esforço era recompensado semanalmente, nas pesagens do Centro de Saúde, em que o João aumentava optimamente de peso, recuperando para valores normais para a idade.
Às 8 semanas, tivemos uma grande vitória: os malfadados bicos de silicone, passaram a fazer parte da história. Já estava tão farta de andar com aquilo atrás, que decidi que já chegava. O João já pegava bem, já tinha força, a boquinha minúscula já tinha crescido um pouco, estava na hora de avançar. Aos pouquinhos, uma mamada de cada vez, fui conseguindo tirar, até que ao fim de poucos dias, já não precisávamos daquilo!!
E um dia, aconteceu uma coisa estranha: mal eu tinha acabado de me instalar para mais uma maratona de mama, já o João tinha acabado de mamar. Assim, de repente, de um dia para o outro, o João era um Campeão da mama! Quaisquer 5 minutos chegavam, para ficar satisfeito! Que bom, que bom! Afinal, eu não ia passar a vida sentada no sofá, a ver episódio atrás de outro do “Bones”!
E assim continuámos, o João continuou a aumentar muito bem, e mamou em exclusivo até à introdução da Alimentação Complementar. E mamou muito, muito, até dizer que não queria mais, pela sua vozinha de 27 meses. Mas isso são outras histórias…
E vocês? Tiveram um inicio de amamentação complicado? Que dificuldades surgiram, e como as conseguiram superar
Aproveitando a comemoração da Semana Mundial do Aleitamento Materno, partilho o inicio da minha experiência de amamentação. Sou a Tânia, tenho 36 anos, e sou mãe de dois mini-bebés: o João, agora com quase 4 anos, e que nasceu às 38 semanas, com apenas 2,010kg; e a Maria que faz 1 ano esta semana, nascida às 34 semanas, com 1,330 kg. Ambos amamentados em exclusivo, desde a alta hospitalar até à introdução da Alimentação Complementar.